27 de abr de 2009

A CRISE É CRIATIVA E O SOFRIMENTO FAZ PENSAR


Vivemos tempos críticos; por isso, criativos. Nos últimos cinco anos mudou a cartografia politica e ideológica mundial. Estruturas ruíram e, com elas, muitos esquemas mentais. Ficaram os sonhos. Como pertencem à substância do ser humano, eles sempre ficam. Permitem novas visões e fornecem o entusiamos necessário para o pensamento e a criatividade.
Junto com os sonhos convive também muito sofrimento. Muitos perderam a estrela-guia. Outros foram destruídos por dentro, incapazes de entender a ruína de tantas visões generosas. Vivem apenas poque não morrem. Mas dentro já lhes secaram as fontes da esperança. O sofrimento, mais que a admiração, faz pensar.
Os textos que aqui reunimos nasceram nos últimos dois anos, sob o impacto das convulsões históricas acontecidas e sofridas, que atingiram biograficamente também o autor. Ele trocou de caminho, não de rumo. Pulou para dentro de outra trincheira, ma não abandonou a luta.
Essas reflexões são frutos da crise, que sempre possui uma função acrisoladora. Como um crisol, ela libera o ouro das gangas. O cerne fica exposto. Com ele podemos construir. Ou ele se faz semente de um novo caminho.
Por isso, os textos vêm carregados de esperança. Ainda há provisões no farnel. A água da vasilha basta ainda para um bom caminho. Podemos seguir avante. O fogo interior arde e indica a direção certa. Então já não precisamos mais de voz. Sabemos cantar também em silêncio. E a mistica.


Rio/Vale Encantado, 12 de Outubro de 1992, dia da resistência e da liberação da afro-indo-latino-América.



Fonte: Ecologia, Mundialização, Espiritualidade.


De: Leonardo BOFF



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