21 de ago de 2009

Sustentabilidade na Amazônia

Segundo Dworkin, a obrigação de proteger o meio ambiente é, sobretudo, “uma questão de justiça entre as gerações”, ou seja, que deixemos um mundo em condições de ser habitado pelas gerações vindouras. É o nosso “trato com o futuro”. Na Amazônia dada a diversidade de solos, vislumbra-se uma pluralidade de soluções para o desenvolvimento sustentável da região. A imensidão da mata engana, pois o solo da floresta é quimicamente pobre. Sol e chuva abundantes favorecem a reciclagem dos nutrientes vegetais estes originam a liteira que é a camada de detritos orgânicos produzidos pela própria floresta. Assim, a liteira alimenta a floresta e esta produz mais liteira. Quando uma floresta como esta é convertida em monocultura ou em pastagem, há um irreversível impacto ambiental, pois os mecanismos de reciclagem são rompidos e ocorre uma degradação do solo. Como conseqüência, dentro em breve, a produtividade desta monocultura decai e os agricultores/pecuaristas abandonam a área e vão derrubar e queimar outras quadras. Neste processo, tem-se abandonado, milhões e milhões de hectares. Esta degradação ocasiona uma escassez de nutrientes-chaves, o que impossibilita a recomposição total da floresta primária. Segundo estudos do Prof. Flávio Luizão (INPA), a recuperação pode se dar com o enriquecimento das capoeiras (floresta secundária) ou pela implantação de Sistemas Agroflorestais que são caracterizados por uma exploração do terreno, no qual se combina o plantio de árvores e outras espécies (frutíferas e madereiras). Evidente que não é a reconstrução da mata original, porém é um sistema que permite colheitas sucessivas de produtos diferentes ao longo do tempo, mantendo a diversidade e a produtividade. A diversificação diminui os riscos relacionados à queda de preços, bem assim, os sistemas consorciados de várias espécies têm menos chances de serem atacados por doenças. Com este encaminhamento, promove-se o desenvolvimento sustentável nas áreas degradadas e evita-se a destruição de novos sítios. Nas palavras de Sachs “buscam-se soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área”.Para tanto, é necessário um desenvolvimento de uma estrutura que privilegie os sistemas agroflorestais, de modo a flexibilizar o créditos e promover uma adequada assistência técnica através da EMATER (na parte agrícola) e do SEBRAE (no treinamento e assistência comercial). Constata-se que há espaço para os sistemas agroflorestais e para o extrativismo. O extrativismo, inserido no interior do próprio ecossistema florestal, possibilita uma distribuição demográfica mais compatível com a capacidade de suporte da floresta amazônica. O risco de exploração degradante não existe nas comunidades de manejo, pois, segundo o pesquisador Écio Rodrigues: “o extrativista compreende a importância em se manter intensidades menores de exploração para que se possa explorar sempre, para ele, seus filhos e netos”. Não pensem que a Amazônia irá se transformar em um grande canavial- dada a crescente busca pelo etanol, pois o nosso sistema de chuvas inviabiliza tal propósito, nem que a nossa região, por inteiro, se transmudará em um imenso campo de soja, vez que economicamente desvantajoso, pois um hectare de dendê produz 5 mil kg de biodiesel por ano contra 400 kg produzidos pela soja no mesmo espaço de tempo, muito menos, que a pecuária ocupe todos os espaços, pois só quem conhece os solos amazônicos, sabe que, por mais que se queira um “boi light” – vez que fará muito exercício nestas subidas e descidas, nos chamados “socavões”, a pecuária não pode expandir-se por toda a região. Portanto, planta-se verde para recuperar o degradado e para manter o verde das florestas As metas ecológicas e econômicas não são conflitantes desde que mediadas em bases sociais.Não podemos perder a nossa vocação florestal e, por intermédio da terra e suas riquezas (animais, vegetais e minerais) possibilitar o desenvolvimento da nossa Amazônia! Esse artigo é de responsabilidade do autor. Não reflete a opinião do Portal Amazônia ou do grupo Rede Amazônica. Opiniões devem ser envidas a jbarrosofilho@uol.com.br

fonte: www.portalamazonia.globo.com

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