7 de jul de 2012

Carajás - Descoberto ninho de Gavião-real no entorno do Parque da Bodoquena

Brasília (04/07/2012) – Um ninho de harpia (Harpia harpyja), ou gavião-real como a ave é conhecida popularmente, foi descoberto no Assentamento Canaã, no município de Bodoquena (MS), durante o final de semana pela equipe do Parque Nacional (Parna) da Serra da Bodoquena e do Programa de Conservação do Gavião-Real (PCGR). O ninho fica a cerca de quatro quilômetros dos limites do parque.
O ninho foi construído na forquilha principal de um jatobá-mirim (Guibourtia hymenifolia) e está a 14 metros do chão. O filhote, avistado durante o mapeamento e coletas de vestígios de presas e dimensões da árvore e ninho, está voando bem. Pela plumagem e data do primeiro avistamento por um agricultor da região, em fevereiro do ano passado, o filhote deve ter cerca de um ano e quatro meses.
Esse é o segundo ninho mapeado no entorno da unidade de conservação sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O primeiro foi localizado em 2005 e monitorado até 2006 pelos servidores Alexandre Pereira e Ivan Salzo, então lotados no Parque. O registro foi publicado na Revista Brasileira de Ornitologia.

Expedição
Na expedição desse fim de semana, a equipe do PCGR, composta pela bióloga Helena Aguiar e pelo escalador de árvores Olivier Jaudoin, foi ao local para realizar a prospecção de ninhos da harpia com base nos  registros fotográficos e audiovisuais da espécie nos municípios de Bodoquena e Bonito.
O analista ambiental e chefe do parque nacional, Fernando Correia Villela, apoiou e acompanhou as atividades no Assentamento Canaã, em Bodoquena, e na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Saci e Fazenda São Geraldo, em Bonito.
A identificação do ninho teve a ajuda de empregados da Fazenda Boca da Onça, que participaram de palestra sobre a ave. Na ocasião, Osmiro Rodrigues, chefe da equipe de turismo, disse ter obtido informações de que o agricultor Sebastião Ibarras conhecia um ninho com um gavião muito grande. A equipe chegou ao local com a ajuda do agricultor.

Divulgação
Para a bióloga Helena Aguiar, este registro confirma a importância das ações de divulgação e entrevistas sobre avistamentos e a presença de ninhos relatados pelas comunidades do entorno das áreas florestais onde vivem as harpias. “Dados do PCGR indicam que em 83 ninhos mapeados e monitorados pelo programa, 97,5% são oriundos de informações diretas sobre a localização dos ninhos por agricultores, pesquisadores e pessoas que habitam no entorno das áreas de nidificação da harpia”, explica a Helena.
Os contatos feitos através do site do PCGR foram importantes para o retorno da equipe à região da Serra da Bodoquena. Além do servidor do ICMBio que comunicou o avistamento da harpia, no extremo sul do parque, funcionários e guias de áreas relacionadas ao turismo na região enviaram fotos e informações do avistamento na Fazenda Boca da Onça, uma das áreas de prospecção por ninhos.  
Com relação ao ninho localizado em 2005, na RPPN Saci, às margens do rio Taquaral no limite leste do Parque, desde 2006 não há registros de reutilização pelo casal. A equipe voltou ao local para procurar outro ninho no entorno e nos locais de avistamentos de filhote e adultos de harpia, mas não foi possível encontrá-los nesta expedição.

O parque
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena fica no Mato Grosso do Sul e protege 76.481 hectares de floresta estacional, abrangendo os municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho. “Além da grande diversidade de aves no Parque, o avistamento das harpias, especificamente, é um ótimo indicador da biodiversidade privilegiada da unidade, mostrando também a importância do trabalho com as comunidades do entorno”, destaca o chefe do Parque, Fernando Villela. Para saber mais sobre o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, clique aqui.

Fonte: ICMBio

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